Ultimamente, a Rafa (minha filhota), anda dizendo cada coisa… Que eu não resisti e resolvi fazer um apanhado para postar aqui.
Primeiro, ela está numa fase monstruosa! Explico. Tudo (tudo mesmo!) pra ela tem alguma relação com monstro ou morte.
Sim, coisa de criança, normal. Acho que todas passam pela fase dos medos, principalmente de escuro. E a Rafa não é diferente. Muito embora, pra dormir, ela prefira tudo escuro, sem nem uma luzinha sequer.
Tudo começou com o livro ‘Quando Mamãe Virou um Monstro’, que ela adora de paixão. Antes disso, era o medo só de escuro, de olhar pro quarto dela vazio, escuro e não querer entrar… Mas com o conhecimento dos monstros, pronto! A coisa deslanchou.
Meu marido e eu dizemos a ela que os monstros existem sim, são grandes ou pequenos, porém, muito bacanas, engraçados, fazem a gente rir um monte. Mas são feios que doem. E como são! rs
Com isso, ela até desencanou um pouco. Mas depois veio a fase (sabe-se lá deus porquê) de falar em morte. Morte! Ok, eu desconfio que foi de uma cena da novela das nove em que um cara foi atropelado e ela assistiu na íntegra, tadinha. Na hora, meu marido e eu dissemos: shiii, ele morreu! Automaticamente pensamos: iiiiiih, fizemos merda! E ela passou o resto da noite falando que ‘ele’ morreu, que ‘ela’ ia morrer, que eu ia morrer, que o pai ia morrer, watheaver…
Difícil. Culpa da televisão (monstra!) – reforço: temos que tomar muito cuidado com o que assistimos na tv, quando estamos com nossos filhos. Mesmo que bastante óbvio, esse dilema é pouco praticado na maioria das vezes.
Teve um dia que meu marido saiu de casa com o carro e ela disse assim: “mamãe, o papai pegou o carro do monstro, ele vai morrer!” E na sequência, ela emendou me perguntando assim: “mamãe, cadê o seu monstro? Dentro do armário?” Achei aquilo tudo meio mórbido demais pro meu gosto… rs
Tomei um certo susto com essa frase tão séria. Me impressionou, de verdade. Mas aí, tive que explicar a ela que o papai não ia morrer só porque havia pego o carro. E sim, claro, que o carro também não era do monstro (: o). E na hora, a primeira coisa que me ocorreu foi: filha, monstros não existem, lembra? Somente nos livros e nos filmes. Estava um tanto atônita com aquela situação tão inesperada vinda de uma criatura tão pequenininha. Na noite anterior, ela estava estranha, olhando fixamente para as paredes, falando em monstro e morte, então achei que não era momento de esticar essa lagartixa sobre monstros…
Mas aos poucos a coisa foi diminuindo. Expliquei com muito cuidado a ela, que esse lance de morte é assim: as pessoas morrem sim, muito justo. Porém, tinham que viver muito até isso acontecer. Tipo, antes de morrer, as pessoas ficavam velhinhas, que nem as vovós, de cabelos branquinhos e depois, só depois disso, morriam. Ufa! (vai vendo a situação complexa com uma criança de 2 anos e 7 meses…)
E era isso. Portanto, o papai não ia morrer, pois ele tinha muuuuito o que viver. E a Rafa também! Pois quando ela pensasse em dizer: ‘mamãe, vou morrer’, ela teria de dizer assim: ‘mamãe, vou viver muito e muito!’
Nunca imaginei que seria tão difícil lidar com um assunto quanto esse. Mas era necessário. Mesmo que ela não tivesse esse entendimento sobre o que a morte queria dizer. Ela já conhecia a palavra, o verbo, então achei necessário explicar para que não ficasse repetindo isso o tempo todo (pode crer que dói ouvir sua filhinha falando que vai morrer), mesmo que seja assim, em vão…
Well, passado isso, ela está bem menos taxativa com essa palavra. E o lance dos monstros voltou a reinar alegre e contente por aqui. Outro dia mesmo, ela chamou minha atenção e do meu marido para a ‘filhinha’ dela, que era do monstro cor de rosa! Na verdade, ficamos na dúvida se a tal ‘filhinha’ era um monstro ou se ela era a mamãe da ‘filhinha’ e o monstro, o papai. Afe, cada hora ela dizia uma coisa. Mas era tão genial vê-la pegando com a mão (fazendo conchinha) para nos mostrar sua ‘filhinha’ com o maior cuidado do mundo…
Complexidades infantis. Demais! Um prazer enorme deixar rolar solta essa imaginação tão incrível que só as crianças sabem desenhar e pintar.
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